Uberaba voltou a dar a maioria dos votos a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, neste domingo (25), mas a distância para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diminuiu pela metade em relação à primeira votação. Com as 795 seções totalizadas, o candidato do PL recebeu 98.581 votos, equivalentes a 52,95% dos válidos, enquanto o petista somou 87.606, ou 47,05%. No país, Lula foi reeleito para o quarto mandato.
A diferença entre os candidatos em Uberaba ficou em 10.975 votos. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia aberto vantagem de 22.216 votos, ao conquistar 91.107, contra 68.891 de Lula. Naquela etapa, os dois tiveram, respectivamente, 51,11% e 38,65% dos votos válidos.
Os dois ampliaram a votação na cidade, mas o crescimento do petista foi maior: Lula acrescentou 18.715 votos ao resultado inicial, enquanto Flávio ganhou 7.474. Em termos percentuais, a distância caiu de 12,46 para 5,90 pontos. Os números mostram a mudança no resultado agregado, sem permitir identificar individualmente como votaram os eleitores dos candidatos eliminados no primeiro turno.
Mesmo com a chuva registrada em Uberaba no domingo, mais eleitores compareceram às urnas. Foram totalizados 191.864 votos para presidente, 5.809 a mais que os 186.055 do primeiro turno. O comparecimento passou de 78,56% para 81,02%.
A abstenção recuou de 50.783 para 44.936 eleitores, redução de 5.847 ausências. Proporcionalmente, caiu de 21,44% para 18,98% do eleitorado apto, uma diferença de 2,46 pontos percentuais. A base de eleitores informada no painel também teve pequena alteração entre os turnos: de 236.838 para 236.800.
Brancos e nulos igualmente diminuíram. Os votos em branco passaram de 3.280, ou 1,76% do comparecimento, para 1.989, equivalentes a 1,04%. Já os nulos recuaram de 4.530 (2,43%) para 3.688 (1,92%).
Somadas, as duas modalidades caíram de 7.810 para 5.677 votos. Com mais eleitores presentes e menos votos sem indicação de candidato, o total de válidos cresceu de 178.245 para 186.187.
Minas vira para Lula; domingo tem temporais e confusão sobre horário
Ao contrário de Uberaba, Minas Gerais mudou de preferência entre os turnos. Flávio havia liderado a primeira votação no estado com 5.777.548 votos (48,24%), contra 5.188.936 de Lula (43,33%). No segundo turno, o petista chegou a 6.351.099 votos, ou 50,43%, e superou o adversário, que recebeu 6.241.786, equivalentes a 49,57%. A vantagem de Lula foi de 109.313 votos.
O comparecimento mineiro aumentou de 12.637.274 para 13.044.203 eleitores, enquanto a abstenção caiu de 3.735.098 (22,81%) para 3.327.941 (20,33%). Os brancos passaram de 268.302 (2,12%) para 164.141 (1,26%), e os nulos, de 392.737 (3,11%) para 287.177 (2,20%). Os votos válidos avançaram de 11.976.235 para 12.592.885.
A virada também ocorreu no resultado nacional. Lula encerrou a disputa com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos. No primeiro turno, o candidato do PL havia liderado com 56.104.503 votos (47,03%), diante de 53.879.538 do petista (45,16%).
No Brasil, foram totalizados 128.236.074 votos para presidente no segundo turno, ante 125.275.835 na etapa inicial. O comparecimento subiu de 78,92% para 80,78%, e a abstenção recuou de 33.469.244 eleitores (21,08%) para 30.509.005 (19,22%).
Os votos em branco diminuíram de 2.300.798 (1,84%) para 1.430.496 (1,12%). Os nulos passaram de 3.674.249 (2,93%) para 2.723.305 (2,12%). Com isso, os votos válidos aumentaram de 119.300.788 para 124.082.273.
A votação ocorreu em meio a dificuldades provocadas pelos temporais em diferentes regiões. Em Belo Horizonte, houve bairros sem energia. No Paraná, o acúmulo de água bloqueou trechos das rodovias BR-153 e BR-476. Em Itapevi, no interior paulista, alagamentos no entorno de uma escola obrigaram a transferência de seções que atendiam 446 eleitores.
Além das chuvas, relatos de problemas no transporte público motivaram pedidos das duas campanhas para ampliar o horário de votação. A campanha de Lula acionou a Justiça por dificuldades na oferta de ônibus, enquanto a de Flávio também solicitou prorrogação em municípios afetados por temporais.
A resposta judicial veio quando o encerramento das seções já havia começado. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão da votação até as 19h em todo o país, mas a decisão foi divulgada após as 17h. Com urnas já encerradas, houve dúvidas sobre como cumprir a ordem. Posteriormente, Zanin esclareceu que a prorrogação alcançaria somente as seções ainda abertas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, repassou essa orientação e suspendeu temporariamente o recebimento dos boletins de urna e a totalização, com retomada prevista para depois das 19h. Assim, a ampliação não significou a reabertura das seções que já tinham concluído a votação.
No balanço da noite, Nunes Marques afirmou que a decisão recebida após o horário de encerramento criou dificuldades operacionais. O presidente do TSE também assegurou que as denúncias de insuficiência no transporte coletivo serão apuradas pela Justiça Eleitoral.