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“Rico em proteína” e “zero açúcar” não significam alimento saudável, alerta nutrólogo

Produtos com apelos como “rico em proteínas”, “zero açúcar” e “baixo em carboidratos” podem transmitir uma imagem de saúde sem garantir, necessariamente, uma alimentação nutricionalmente equilibrada. De acordo com o nutrólogo Pedro Pereira, a escolha dos alimentos deve considerar a composição nutricional e a qualidade da alimentação como um todo, e não apenas as promessas das embalagens ou a quantidade de determinados nutrientes. 

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Segundo o especialista, a indústria alimentícia utiliza cada vez mais argumentos relacionados à saúde, ao emagrecimento e à boa forma para atrair consumidores. Um biscoito enriquecido com proteínas, por exemplo, continua sendo um biscoito, enquanto um produto sem açúcar pode apresentar elevada densidade energética e pouca fibra. Por isso, ele recomenda observar a lista de ingredientes e a composição nutricional, sem confiar exclusivamente nas informações destacadas na parte frontal da embalagem. “Essas informações podem ser verdadeiras, mas não significam automaticamente que o produto seja saudável”, ressalta. O médico pondera, entretanto, que nem todo alimento industrializado é prejudicial, e que opções como aveia, iogurte natural e vegetais congelados podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. 

Outro problema, de acordo com Pereira, é reduzir os alimentos a classificações como proteína, carboidrato ou gordura, desconsiderando a combinação de nutrientes que cada um oferece. O ovo, por exemplo, é fonte de proteínas de alto valor biológico, mas também contém gorduras, colina e vitamina B12. O feijão fornece proteínas vegetais, fibras e ferro, enquanto as frutas oferecem vitaminas, minerais e outros compostos importantes, além dos açúcares naturais. Essa combinação, conhecida como matriz alimentar, influencia processos como digestão, absorção e saciedade. “A gente não come proteína, carboidrato ou gordura isoladamente. A gente come alimentos!”, destaca o nutrólogo. 

A busca por praticidade ou o medo de engordar também podem levar à substituição frequente de refeições completas por opções com pouca variedade nutricional. O médico explica que pão e arroz, por exemplo, não precisam ser tratados como vilões, assim como jantar à noite não provoca ganho de peso automaticamente. O problema está na composição habitual das refeições: um sanduíche preparado com ovos ou frango e vegetais pode ser uma alternativa equilibrada, enquanto o consumo frequente de biscoitos, salgadinhos e lanches pouco nutritivos pode comprometer a qualidade da dieta. 

A restrição alimentar excessiva merece atenção especial durante o emagrecimento, inclusive entre pessoas que utilizam medicamentos que reduzem o apetite. Segundo Pereira, a perda de peso pode ocorrer sem que as necessidades nutricionais sejam atendidas, especialmente quando há ingestão insuficiente de proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Dependendo da intensidade e da duração dessa restrição, podem surgir perda de massa muscular, fadiga, constipação intestinal e deficiências nutricionais. Por isso, a avaliação dos resultados não deve se limitar ao número indicado pela balança, mas considerar também a preservação da massa muscular e a qualidade da alimentação. 

Como alternativa, o nutrólogo recomenda valorizar alimentos presentes na rotina brasileira, como arroz, feijão, ovos, carnes, frutas, verduras e legumes. A combinação de arroz com feijão, por exemplo, fornece proteínas vegetais complementares, fibras e micronutrientes. Para ele, uma alimentação equilibrada não precisa depender de suplementos caros, produtos sofisticados ou mudanças radicais, mas de escolhas possíveis de manter no cotidiano. A prioridade deve ser dada aos alimentos in natura ou minimamente processados, sem que isso signifique excluir indiscriminadamente todos os produtos industrializados. 

Entre as orientações para quem deseja melhorar a alimentação estão variar o consumo de frutas e vegetais, incluir fontes adequadas de proteínas, manter o feijão na rotina, organizar minimamente as refeições e evitar dietas extremamente restritivas sem indicação e acompanhamento profissional. Pereira ressalta que as necessidades nutricionais variam conforme a idade, as condições clínicas, a composição corporal e o estilo de vida. Assim, o planejamento alimentar deve respeitar as particularidades de cada pessoa, considerando também aspectos como sono, atividade física e relação emocional com a comida.

Curadoria JM

JM Direto ao Ponto

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